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A Fantástica História da Cerveja

A primeira prova arqueológica referente à produção de cerveja vem da Suméria. Os sumérios teriam percebido que a massa do pão, quando molhada, fermentava, assim imagina-se o surgimento de uma forma “primitiva” da cerveja, o famoso “pão líquido”. Tudo isto data por volta de 6.000 A.C.

Por algum tempo os gregos e romanos passaram a dar preferência ao vinho, e a cerveja tornou-se a bebida das classes menos favorecidas, especialmente nas regiões sob domínio romano, e principalmente, entre germanos e gauleses. Foram os romanos que começaram a usar a denominação cervesia para a bebida, em homenagem a Ceres, deusa da agricultura e da fertilidade.

Foi na Idade Média que a cerveja ganhou o sabor característico da que consumimos hoje. Os gauleses passaram a fabricá-la com malte, e os monges descobriram o lúpulo como conservante natural.


O outro nome é Carl Von Linde que desenvolveu a geração de frio artificialmente com sua máquina frigorífica à base de amônia. Com isso, a cerveja poderia ser feita em qualquer época do ano, pois os cervejeiros conseguiram controlar a fermentação.

Na América do Sul – séculos antes da chegada dos europeus – os incas já apreciavam uma bebida similar à cerveja.

Existem registros históricos de leis sobre a cerveja no mundo. Em 1.770 a.C. o Código de Hamurabi, da Babilônia – o mais antigo código de leis conhecido – já previa punição com pena de morte àqueles que diluíssem a cerveja que vendiam. Papiros egípcios, datados de 1.300 a.C., também fazem referência ao regulamento da venda de cerveja.

Na idade Média, a cerveja foi usada como mercadoria de comércio e como moeda para pagamento de impostos.

Os egípcios continuaram a tradição da fabricação de cerveja, alterando o sabor ao adicionar tâmaras. Os gregos e romanos também faziam cerveja, mas como o vinho acabou se tornando mais popular naquela época, os romanos passaram a considerar a cerveja uma bebida de bárbaros.

Muito mais tarde, a Igreja Católica também se envolveu na produção de cerveja, e as abadias foram fundamentais para aperfeiçoar os métodos usados na fabricação da bebida. Várias comunidades religiosas devem suas existências à cerveja, já que os lucros da venda da bebida mantiveram diversos mosteiros. Diz-se que o próprio Carlos Magno treinou algumas pessoas nas artes da fabricação de cerveja e considerava essa arte um item de primeira necessidade. Assim como seus antecessores, os cristãos também acreditavam que a cerveja era uma dádiva divina e essa ideia só mudou por causa do alcoolismo desenfreado que começou no final do século XIX.

A cerveja não era valorizada só por sua capacidade de deixar as pessoas bêbadas, um conforto que não poderia ser subestimado considerando os tempos difíceis que os cidadãos comuns da Europa Medieval viviam. Mas tão importante quanto isso, durante a Idade Média e mesmo depois dela, beber cerveja era bem mais seguro do que beber água. A água daquela época era cheia de bactérias causadoras de doenças, já que não havia saneamento básico. Além de conter álcool, a cerveja também passava por um processo de “cozimento”, o que fazia com que a sujeira fosse eliminada da bebida. Ela era consumida por gente de todas as idades e classes sociais e, por muito tempo, junto com o pão, a cerveja fez parte da dieta diária da maior parte das pessoas.

O advento do engarrafamento automático, a refrigeração e o aumento do número de ferrovias fez com que a produção em massa e a distribuição de cerveja se tornassem possíveis mesmo em grandes áreas como os Estados Unidos. Por volta de 1880, havia cerca de 3.200 cervejarias em operação nos EUA.

E então chegaram os dias negros para os bebedores de cerveja norte-americanos e também para todos que consumiam bebidas alcoólicas: como o abuso do álcool era considerado culpado da maior parte dos problemas dos EUA (algumas vezes isso fazia sentido, mas frequentemente não), a 18ª Emenda inaugurou a era da Lei Seca, transformando cidadãos comuns que faziam cerveja em casa em criminosos.

A Lei Seca acabou em 1933, mas não antes de gerar atos atrozes: o governo americano envenenou intencionalmente carregamentos de bebidas alcoólicas que eles sabiam que as pessoas consumiriam e mataram ao menos 10.000 pessoas. Alguns membros do Congresso defendiam a criação de um programa que eliminaria os alcoólatras, considerados pessoas indesejadas numa sociedade civilizada. Em 1935, cinco décadas depois de os Estados Unidos terem tido mais de três mil cervejarias, somente 160 delas ainda estavam operando.

Após o final da Lei Seca e da 2a Guerra Mondial iniciou-se a produção de cervejas em massa novamente e devido a falta de insumos e o descostume dos consumidores a beber cervejas mais “fortes” a indústria acabou optando uma cerveja extremamente leve em corpo, sabor e preço. Foi nesse período que a popularidade das American Lagers explodiu!

Sorte nossa que esses tempos sombrios passaram e na década de 60 e 70 alguns caras incríveis se uniram e começaram a produzir cervejas fantásticas em casa. Esse foi o início da American Homebrewers Association – AHA – nos EUA e da Campaign for Real Ale – CAMRA – no Reino Unido, que foram alguns dos catalisadores da Revolução das Cervejas Artesanais!

Muita história rolou desde então, a Cerveja Artesanal no Brasil ainda está apenas engatinhando, mas esse será assunto para um próximo post…

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